O elefante e o galgo

A revista Meio & Mensagem sempre traz diversos artigos, matérias e análises sobre Cannes e o que as grandes mentes da publicidade mundial enxergam sobre o futuro da área. Com mesmo destaque, são retratadas notícias que apontam para o nosso próprio mercado.

Como profissional e sócio de uma agência de tamanho médio, ler o que as gigantes brasileiras e mundiais estão fazendo e pensando me conforta e me inspira.

Alcir Leite, um dos sócios da DM9DDB, certa vez esteve em Porto Alegre, na ESPM, para um bate-papo, onde afirmou: “Quem contrata a DM9 busca uma agência criativa e que irá trazer prêmios”. Perfeito. Isso é posicionamento, isso é propósito. Após Cannes 2013, em que a agência conquistou “apenas” 3 Leões – um feito sensacional, mas que, comparado a performances anteriores, não deixa de ser menor –, o que os sócios decidiram? Mudar, para melhorar. E uma das mudanças foi colocar o Planejamento junto à Criação. 

Pode ser algo simples, mas faz toda diferença. A Penso Ideias nasceu com o DNA de Planejamento. Enquanto muitos se orgulham de ser criativos, possuir DNA digital e etc., a gente tem orgulho de afirmar que nosso DNA é o Planejamento, que há muito tempo já trabalha integrado com a Criação.
 
A DM9, com essa atitude, dá um passo importante, pois, assim como nós enxergamos claramente que os propósitos do cliente, suas fortalezas, seus objetivos estratégicos e comerciais devem fazer parte da construção criativa, agora uma das agências mais premiadas do país anda em direção a essa mudança. Ter resultados sempre será a principal preocupação do cliente. Se, aliado a isso, vierem os prêmios, ainda melhor. Todavia, o maior prêmio é sempre o crescimento do negócio dos clientes, e unir Planejamento e Criação de forma única é o melhor caminho para isso. 

Outra informação relevante foi dada pelo Sr. Dan Wieden, sócio e fundador da Wieden + Kennedy: “Estamos criando para nós mesmos e para os nossos clientes. Mas esquecemos do consumidor. É preciso restabelecer essa ligação." Na mesma matéria em que essa fala é reproduzida, Eric Messa, professor da Faap, encerra: “(…) as empresas estão mudando suas mensagens para estarem mais presentes na vida das pessoas”. 

Bingo! 

Desde o início do ano a Penso se reposicionou com o objetivo de adaptar sua marca e discurso para o mercado a uma prática que já era recorrente na nossa forma de atuar: aproximar marcas de pessoas. 

Já faz algum tempo que as nossas ações, criações e soluções entregues aos clientes possuem esse propósito. Em um tapume de hotel para a Lamb, por exemplo, a peça intervia no cotidiano, relembrando que por trás dos muros da Mauá havia uma linda vista e, com a obra, as pessoas poderiam voltar a apreciar essa beleza ao visitar Porto Alegre. Em outra ocasião, uma singela ação em homenagem ao Dia dos Namorados para o Governo do Equador, foram entregues rosas e as pessoas tiraram fotos com as flores, como um presente ao amor. Dois exemplos simples de ações de baixo custo, que fogem dos canais tradicionais e não usaram mídia para conversar com o público, porém, ainda assim, aproximaram as pessoas das marcas. 

Nós, da Penso, somos mais inteligentes e melhores que essas agências citadas? Claro que não. No entanto, somos mais leves, mais ágeis. Seja por características do nosso mercado, pela área de atuação ou pela capacidade de investimento dos nossos clientes, a verdade é que temos proximidade com o negócio deles e a necessidade de viabilizar ações low cost. Somado a isso, a nossa quase paranoica forma de planejar e estudar os pormenores dos clientes, de como as pessoas se comportam, cria uma vantagem competitiva ao nos permitir ver o que está acontecendo e antecipar os cenários de forma mais rápida. 

Agências como DM9 e W+K com certeza possuem visão igual ou até mais ampla, contudo, são grandes, muito grandes. Seus passos são mais lentos, mais difíceis de serem dados. Por serem parte de grupos internacionais, com centenas de funcionários e acionistas, a quantidade de pessoas envolvidas nas mudanças torna o processo mais complexo. 

Esse é ponto de virada no futuro da comunicação. A época das grandes e complexas organizações está fadada a um colapso, pois a agilidade e as necessidades de comunicação, de interação e de entrega das marcas estão profundamente modificadas. Nesse cenário, as agências médias, com menor número de profissionais, porém com qualificações mais complexas e conhecimento em diversas áreas, terão muito mais condições de atender e prover as necessidades dos clientes. 

Somos melhores que as agências tradicionais? Não, apenas somos um galgo correndo contra elefantes.



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