O lado oculto do empresariado

O capital privado, o capitalismo e o empresário, vilões da sociedade moderna. Essas palavras dão calafrios em qualquer trabalhador, afinal, é por conta desse sistema capitalista, dessa ganância por dinheiro, que os empresários forçam os trabalhadores a pesadas jornadas, salários indignos e condições miseráveis de trabalho. Por sorte, existem a CLT, os sindicatos e os partidos de esquerda, clarões de luz, que salvam a sociedade e trazem equilíbrio ao jogo, tornando o trabalhador menos submisso a essa subversão desumana. Será que é bem assim?

Vejamos algumas frases mágicas que ouço diariamente dentro da minha empresa: “Está acabando o café”; “Vou chamar o Fabrício (técnico de TI)”; “Preciso de tinta preta”; “Acabou a folha de ofício”; “Aqui está a requisição do táxi para você autorizar”; “Meu computador não está bom, preciso de um novo”; “Meu filho está doente, preciso sair mais cedo”; e “Vou viajar na sexta, posso sair mais cedo?”, para citar apenas alguns exemplos.

Há também aquelas, não menos importantes, que a gente não houve as pessoas falarem, como: “Que agência limpa”; “Eu sempre recebo meu salário em dia”; “Não tem nenhuma cadeira quebrada ou móveis quebrados na agência”; “Nunca falta luz ou água aqui”; “Nunca cortaram a internet ou telefone”; “Sempre recebi minhas férias e 13° salário”; e “Os impostos são pagos em dia”, além dos funcionários terem advogados e contadores que dão suporte na administração, e assim vai.

Neste período eleitoral, vejo alguns partidos falando sobre o capital, sobre os empresários, mas não vejo quaisquer ideias relevantes ou propostas sérias de candidatos competitivos, que realmente auxiliem a vida de quem move esse país.

Empresário aguenta no osso ter o dia todo parcela do seu público sempre reclamando de alguma coisa, contudo, provêm absolutamente tudo o que é necessário para o bom desempenho das funções, sem que ninguém questione o quanto custa tudo aquilo. Empresário paga calado impostos abusivos em cima de contratos com margens de lucros cada vez menores, e aceita isso, pois precisa fazer a roda girar. Empresário demite o funcionário incompetente e insubordinado, com menos de um ano de casa, que, por conta da CLT, é premiado com o triplo do seu salário, em uma tacada só, e sorridentemente sai da empresa direto para sacar o seguro-desemprego, deixando o empregador amargar a conta. 

Empresário pensa dia e noite em como conquistar mais clientes, enquanto parte do seu corpo funcional pensa apenas em como chegar até às 18hs. Empresário pensa em como reduzir despesas sem sacrificar a qualidade do trabalho, ao mesmo tempo em que parte dos funcionários não se preocupa em desligar uma luz ao sair da sala.

Vejam que sempre falo em parte do corpo funcional, pois não podemos generalizar. Por mais programas de treinamento e de conscientização que se faça, a índole, a formação, o caráter e os objetivos pessoais de cada um sempre se sobressairão aos interesses da maioria. Por isso, aos poucos é preciso ir filtrando as empresas, separando o joio do trigo. Contudo, isso tem um alto custo para as empresas, principalmente pequenas e médias, com formação do seu capital. 

Esse é o nosso país, esse é o lado oculto do empresariado.


Esse texto é parte do livro "O mundo em Pantone", que irei lançar em breve. Nesse link você consegue baixar uma amostra o livro. Clica ai e confere um pouco do que terá no livro. 

http://www.mylanderpages.com/ag/E-book-Penso-Ideias


Comentários