Todos contra o Uber


A prefeitura de Porto Alegre, através da EPTC pretende impedir, através de lei junto à Câmara dos Vereadores, que o Uber se instale na capital ou, caso não haja tempo hábil, o comando do departamento de trânsito já afirmou que irá combater como transporte ilegal quem prestar o serviço para “caronas remuneradas”. Há vários aspectos que já foram levantados em todo país sobre o assunto, que não são diferentes em Porto Alegre. Entre os trend topics do debate estão: permissionários do serviço de taxi, não realização de curso de motorista, não é uma atividade regulamentada, não pagam imposto sobre o que arrecadam entre outros. Em linhas gerais, os pontos levantados por sindicato e empresa de trânsito são esses. Percebam, que em nenhum desses tópicos está o usuário, não está comtemplado no debate o objeto principal de tudo, que são as pessoas.


Mobilidade e Liberdade

O Uber não foi criado para competir com os taxis, não foi criado para ser uma empresa de transportes, ele é um serviço que nasceu das necessidades das pessoas, tomou forma, fama e se tornou gigante por causa das pessoas. As autoridade, os políticos, os sindicatos em nenhum momento do debate estão olhando sob a perspectiva das pessoas, não se olhou número de percursos feitos com o Uber, não se analisou a imensidão de dados existentes, comprovados por usuários e donos de carro ao redor do mundo, que dão referência e mostram o que é bom e o que não é bom no serviço. Alguns testes sobre o Uber no Brasil, como um que ví no programa “Olhar Digital”, no You Tube, se ativeram ao custo do serviço. O custo é o que menos importa. O cerne da questão é mobilidade e liberdade, é estar em acordo com o futuro da sociedade, que é de uma sociedade compartilhada, uma sociedade em que o uso é mais benéfico que o ter. 

Política e discurso

O discurso de 10 entre 10 políticos no Brasil, em especial em Porto Alegre, tem como principal argumento a  questão da distribuição de renda, de aproximar as classes mais baixas do consumo e do lazer. O governo brasileiro se orgulha de ter tirado milhões da zona da miséria e colocado-os na classe “C" do consumo, através caríssimos programas sociais, porém, quando surgem oportunidades reais, gratuitas e efetivas de distribuir renda e melhorar a condição de vida das pessoas preferem manter os status vigente, ficar ao lado de sindicatos, de leis e burocracias que nada contribuem para o avanço e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. 

Hoje, milhares de carros estão parados o dia inteiro em estacionamentos, pessoas estão desempregadas, enfrentando efeitos da crise econômica, tendo sua renda diminuída, seu poder de compra reduzido e sofrendo todos os efeitos desse contexto. Nesse quadro, o Uber traz uma novidade, um sopro de redenção, pois podem aumentar a renda das suas famílias, ajudar a pagar contas utilizando o aplicativo. Pessoas que tem seus carros o dia inteiro parado, sem render nada, podem compartilhar esses veículos, gerando uma renda adicional no fim do mês. E o melhor, tudo isso sem precisar comprar ou investir, sem precisar fazer absolutamente nada, apenas se utilizando das maravilhas que um mundo digital e compartilhado nos trás. 

Distribuição de renda e geração de riqueza

O Uber, como programa de redistribuição de renda, de alavancagem social é muito melhor, muito mais rápido e eficaz que qualquer programa social de qualquer governo. Aqueles mesmos políticos que pregam uma melhor redistribuição do dinheiro e das condições sociais são os primeiros a impor barreiras e impedir que as pessoas cresçam e melhorem de vida. Enquanto se discute lei, restrição, clientelismo, reserva de mercado, não se discute sociedade, não se discute como facilitar que as pessoas tenham maior mobilidade, melhor renda, melhores serviços. 

Está mais que provado e comprovado que a meritocracia, dar poder para as pessoas avaliarem o que é bom e o que não é, consiste na melhor forma de evoluir e melhorar serviços. Mercado Livre está há anos fazendo isso. Você só compra de quem é bem avaliado. No Uber é, e será a mesma coisa, assim como milhares de serviços que crescem por conta dos seus méritos, avaliados e chancelados pelos consumidores. A era pós-digital é 3.0, compartilhada e comentada. Infelizmente a política e os políticos ainda são medievais e fechados ao mundo, como se fossem investidos de um poder divino para legislar e dizer o que é certo ou errado.  

José Henrique Westphalen 
Mestre em comunicação 

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