A virada de jogo: como a internet e as redes sociais irão deixar o dinheiro do lado de fora das eleições



“A internet e as redes sociais permitem que os políticos contem o que estão fazendo e dão aos eleitores as ferramentas adequadas para se fazerem ouvir, cobrar resultados e participar.” 

O Brasil vem avançado no uso das ferramentas digitais para divulgação dos mandatos e como ferramenta de campanha eleitoral. De 2008, o marco Obama das campanhas eleitorais, para hoje, o salto foi muito grande, porém, o nosso país ainda precisa avançar muito. O Medialogue realizou a atualização da sua pesquisa Política 2.0 e trouxe importantes dados para clarear o cenário, mostrando que de 2011 a 2013 houve significativos avanços no uso de sites, Twitter, Facebook, cadastramento de eleitores, uso de CRM e publicização do mandato.

Para se ter uma ideia, a pesquisa mostra que 9 milhões pessoas se relacionam hoje com parlamentares federais no Twitter e Facebook. Em 2011, esse número era de apenas 3.2 milhões. Somente o Senador Aécio Neves possui mais de 4 milhões de fãs na sua página do Facebook nesse início de 2016. É um crescimento avassalador, que demostra todo o potencial e importância do digital na vida política. 

É interesse analisarmos esses números e vermos a evolução do digital nas eleições e durante os mandatos. Em 2010, escrevi um artigo intitulado “A agenda setting e a nova ordem da comunicação”, onde abordava como as redes sociais estavam pautando os grandes veículos de comunicação sobre temas do debate político. 

"A força e a voracidade com que as redes sociais estão agendando a nossa pauta é impressionante. Twitter e Facebook inundam as timelines com opiniões, frases, vídeos e depoimentos sobre os mais diversos temas e em pouco tempo esses assuntos entram para a lista de trending e os tradicionais meios de comunicação (jornais, rádio e televisão) passam a abordar os mesmos temas, intensificando ainda mais e sustentando essas pautas. (….) A questão do aborto nessa eleição é um caso explicito do agendamento feito pelas redes sociais, por pessoas ordinárias, que buscavam e repassavam mensagens de apoio e ataques, contra e a favor de seus candidatos. (…) O agendamento hoje é através de grupos de interesse pessoal e ideológico e os meios tradicionais de comunicação correm atrás de acompanhar a pauta ditada pelas pessoas comuns e não por grupos de interesse. Essa é a nova ordem da comunicação." 

Vejam que nessas citações do artigo fica comprovada a influência do Twitter e do Facebook, sendo que em 2010 essas redes não eram a metade do que são hoje. Se comparado aos números das eleições presidenciais de 2014, o digital era um nada. Pra se ter ideia, o pleito de 2014 teve 20 milhões de menções aos candidatos à presidência, 30 grandes eventos e 3 milhões de perfis únicos, segundo o Medialogue. É uma força brutal que está sendo mal empregada pela imensa maioria dos parlamentares que aí estão. Bom para os jovens candidatos, que, se souberem explorar bem as técnicas e os caminhos do digital, podem virar o jogo a favor de uma nova política sem depender do dinheiro ou das velhas práticas. 

Ao longo da semana irei largando mais dados em post's no meu Instagram @jhwestphalen

José Henrique Westphalen 
Cientista Político, mestre em comunicação e provocador digital. 



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