Por que as tipuanas e os políticos são iguais?


Você vota? Você acessa as redes sociais? Ótimo, porque ao ler esse texto você vai entender como a tecnologia mudou as relações e a forma de interação social. Dentro dessas mudanças, há um gap, que é a política, teimando em não se renovar e manter as mesmas formas de representação desde o século XVIII, totalmente desvinculadas da sociedade e das suas necessidades. E as tipuanas? Ao final, você vai entender porque elas são iguais aos políticos.
 Os três pontos que irei abordar:
 - As mudanças na sociedade e na comunicação são tão presentes que não percebemos a sua influência.- Por que árvores centenárias como as tipuanas são parecidas com os políticos.- Quem são as pessoas e o que está mudando as formas de pensar a representação.
 Ao final do texto, se você tiver um ponto de vista sobre o assunto, quero ler seu comentário.


As mudanças na sociedade e na comunicação


Independente dos problemas sociais e econômicos que enfrentamos, em escala mundial, estamos vivendo um ponto de inflexão, tentando recompor a ordem frente ao caos. Tentamos coabitar entre três mundos: são gerações na mesma casa, no mesmo ambiente de trabalho, na mesma rede social. Os progressos tecnológicos dos últimos 70 anos são incomparáveis a qualquer período da humanidade. Particularmente nos últimos dez anos, assistimos a uma mudança tão grande e tão drástica que não paramos para perceber o quanto essas mudanças alteraram todas as relações ao nosso entorno.

As novas formas de interação social estão cravadas no nosso dia a dia de maneira tão indissociável que não percebemos como estamos intimamente ligados pelos gadgets tecnológicos. Não questionamos mais a utilidade do computador, do e-mail, do celular, do SMS e do GPS, entre outros. São ferramentas básicas, cotidianas, facilidades que não concebemos viver sem. Essa mudança, essa formulação, afeta a tudo e a todos.

Por que as tipuanas e os políticos estão nesse contexto?

As tipuanas são árvores grandes e centenárias. Em Porto Alegre (RS), são atração em ruas com “túneis verdes”. Entre suas características, uma das principais é a altura, com copas altas e dispersas do seu eixo, que espalham seus galhos por todos os lados e tomam as ruas ao se entrelaçar com outras árvores. Recentemente, a natureza fez uma faxina em Porto Alegre: ventos violentos derrubaram três mil árvores. Contudo, a maior parte delas estava infestada e podre, sobrevivendo apenas pela preguiça do poder público em podar ou assumir a responsabilidade de cortá-las pela raiz.

Nossos políticos são como essas árvores. São centenários, profundamente enraizados e presos na única forma que conhecem de sobreviver: crescendo difusos do centro e espalhando seus galhos, entrelaçando-se com outros por interesse mútuo. Assim como o vegetal lenhoso, apesar de vistosos, eles já estão caindo frente aos ventos das mudanças sociais por não enxergarem uma nova forma de ver e fazer política.

A internet e as redes sociais estão modificando as formas de representação

Se olharmos a história, nosso atual sistema político está fundado nas Revoluções Americana (1776) e Francesa (1789), que inseriram a possibilidade de escolha através do voto, rotatividade do poder e representação. Independente da evolução e dos diferentes níveis de democracia existentes, com maior ou menor participação e contestação, o sistema é o mesmo. 

Alessandra Orofino (pesquise sobre ela, vale a pena) lidera a organização Meu Rio, uma rede de ação que conecta pessoas dispostas a fazer algo pelo lugar onde vivem. No Rio, mais de 200 mil pessoas estão integradas, além de outras milhares em redes similares que estão proliferando pelo Brasil e no mundo. O cerne dessas organizações são as pessoas e o seu ambiente, não os políticos.

A mentalidade que as ligam é simples: não esperar pelo Estado para resolver tudo. Um novo corpo social, timidamente, vem criando espaços de representação, contestação e mobilização além dos partidos e sindicatos. São organismos voltados ao desenvolvimento local, onde a convergência de interesses supera a ideologia e o interesse pessoal.


Com um parlamento cada vez mais obsoleto, composto de representantes que não espelham a sociedade, que circulam sem instrumentos reais de cobrança, nossos políticos estão à beira da extinção. Observamos fortes ventos, que lentamente estão derrubando as últimas espécies centenárias, calcadas em um modelo arcaico e ultrapassado. A internet e as redes sociais estão permitindo a formação de comunidades organizadas, que estão criando novas formas de participação política e social, totalmente integradas e convergentes. É a natureza do corpo social soprando novos ventos às velhas práticas.

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