Graffiti, o crime nosso de cada dia.



Graffiti é arte? Não há dúvidas que sim. Há alguns expoentes pelo mundo, como Banksy, que possui um trabalho  contestador, com uma criatividade impar e um senso estético que é uma porrada, sem ser vulgar ou apelativo. No Brasil, o maior expoente é o Eduardo Kobra, uma arte com muita cor, vida e respeito. 

O primeiro é um transgressor, porém, sempre com respeito e sem destruir e vandalizar. O outro transcendeu, saiu das ruas para ser contratado mundo afora para fazer sua arte intensa e criativa. Dois exemplos do que o graffiti pode nos dar. 

Há pouco tempo contratei o Coletivo Urbano, um núcleo de grafiteiros, organizados e sérios, que vendem seu talento para quem valorize e queira ver. 

Hospital de Clínicas, por exemplo, já contratou o serviço deles. Eu contratei, para um trabalho lindo que fizemos para um cliente, a Lamb Engenharia, na fachada de uma obra que traria vida e prosperidade para uma região degradada de Canoas. Inclusive uma um dos muros, sob a supervisão de artistas, para engajar a comunidade no empreendimento. 

Esses são exemplos do graffiti social e responsável, com autorização, com propósito maior que a simples exibição e autopromoção. 

O programa Altas Horas, da Rede Globo, exibiu um quadro onde alguns marginais, que se intitulam grafiteiros, demonstram todo seu caráter exibicionista e ególatra para justificar o vandalismo e a depredação de propriedade estatal e privada. 

Imbecis, nas palavras bem colocadas de Rogério Flausino, em uma matéria que nada acrescenta à sociedade. 

Graffiti ou “picho” feito sem autorização é crime. Não interessa se é arte ou não, se é bonito ou não. Se foi feito sem autorização, é crime, é abuso e só serve a interesses particulares. 

Fazendo uma analogia incomparável, apenas para ilustrar, se alguém tocar uma mulher sem permissão, se forçar sexo sem consentimento é crime, é estupro e mereçe o máximo da lei. Um graffiti ou um “picho” sem consentimento é um crime, é um atentado ao bem privado ou público, pois há um claro abuso, uma clara violação à sua ordem natural.

Pouco importa se você gosta ou não do Graffiti. Eu gosto, mas não importa. O que está em jogo são leis e regras sociais. 

Se permitimos uma transgressão, um crime, um abuso ao patrimônio, apenas porque achamos bonito, porque achamos “cool”, moderno e é arte, estamos sendo cúmplices e coniventes com todos os tipos de crimes, pois sempre haverá alguém que pense que determinado crime é menor ou irrelevante. 

Estou longe de ser conservador, porém, mais longe ainda de ser um anarquista. Uma propriedade privada é o bem máximo de uma sociedade. Em hipótese alguma podemos permitir e nos calar com a sua usurpação. Um bem público, coletivo, é de todos, e merece igual respeito e atenção, caso contrário, teremos um sociedade tirânica, onde alguns podem mais que outros. 

Se você preza sua individualidade, sua vida, seu patrimônio, não pode ser conivente com “picho” ou graffiti sem autorização. 


José Henrique Westphalen


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