Brasília não conheçe a internet



Esse texto trata sobre 04 fatos que compravam que a internet mudou a forma de se fazer política e que Brasília não está sabendo como lidar com esse novo momento no contexto político nacional. 

1) Novos líderes vindos da internet: 

Marcel Van Hatten, Camozzato, Fábio Ostermann, Manuela D'avilla são apenas alguns exemplos de lideranças que exibem muita força na internet. Da nova geração, observamos Fábio Ostermann e o vereador de Porto Alegre, Felipe Camozato, que ganharam força e projeção com o MBL e o trabalho pró-impeachment, são provas inequívocas da força que a internet adquiriu na formação de líderes e na dissipação de mensagens políticas. 

No plano nacional despontam com muita força dois nomes: o primeiro, João Dória, com uma atuação pessoal vigorosa na internet, assistido por uma equipe profissional e atenta a todos os desdobramento. Dória e sua equipe tem muita experiência e preparo para aproveitar espaços e construir a imagem do #joãotrabalhador.

O segundo, o campeão viral. Jair Bolsonaro usa bem as redes sociais, contudo sua projeção se deve mais a um fenômeno social, de aderência do seu discurso em uma camada da população que está sempre presente na internet. Boa parte dos cards, citações e frases atribuídas a Bolsonaro são fruto dos seus "seguidores", jovens, em sua maioria, que espontaneamente criam e compartilham fatos e factoides sobre o deputado.   

2) Democracia e participação política digital:

Outro fato relevante da internet foram os inúmeros canais criados para acompanhar a atividade parlamentar e servir de pressão social. E vêm dando certo, o eleitor está mais atento e participativo: há um número crescente de grupos políticos na internet, de acordo preferência e ideias, e eles crescem em número e aderência a cada dia. De conservadores a liberais, de católicos a agnósticos, pela primeira vez as pessoas estão podendo participar de forma direta do processo de influência política, exibindo suas ideias de forma aberta e se conectando com outras que pensam da mesma maneira. É o ápice da democracia digital.  

3) Máscaras no chão:

Toda mentira é revelada, toda opinião é confrontada. Não existe espaço para velhas práticas e o discurso simplório da política. Com o advento da internet, algo que foi dito, mesmo que há muito tempo, é rapidamente confrontado com novas posições, mostrando o comportamento incongruente dos agentes políticos. Haja visto o recente caso de Dória, em que foi levantada uma série de doações (legais) para candidatos do PT e PCdoB, contrapondo de maneira muito forte seus recentes discursos sobre liberdade, economia, gestão e práticas políticas do passado.

4) Não é como você imagina: 

Apesar de tudo o que se fala sobre a internet, redes sociais e o seu potencial na política, poucos conseguem avançar. E a resposta do porquê os políticos não conseguem extrair o melhor das redes é mais simples do que se possa imaginar: não é fácil como se prega.

Facebook, Twitter, Instagram, Whatt'sApp, Blogs, Site etc, parecem ser fáceis, porém, para um uso profissional, para formação de imagem requerem uma série de técnicas, planejamento e muito, mas muito tempo disponibilizado para fazer bem feito. 

Atualmente, os algoritmos das redes entregam mensagens direcionadas por interesse e engajamento, e têm alcance orgânico altamente limitado, menos de 1% da base. Além disso, a rede está inundada de informações, post, vídeos, textos e diversos outros materiais, dessa forma, para ter destaque e relevância é preciso uma boa redação, o uso de técnicas de persuasão, um posicionamento claro e saber defender ideias concisas e navegar e participar por diferentes grupos do ciber universo. 

Se você concorda com essa visão, compartilhe com o seu parlamentar, com o seu amigo que possuí vínculos políticos e ajude-os a serem melhores representantes. 

José Henrique Westphalen


Cientista Político e Prof. Mestre em Comunicação. 

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