A virtude do oportunismo político


Oportunismohabilidade em tirar partido de circunstâncias ou fatos para a obtenção de algo. No esporte, oportunismo pode ser entendido como a habilidade em buscar ocasiões, bons momentos para realizar uma jogada, fazer gol etc. 

O oportunismo não tem valor moral em si. Ele é positivo ou negativo de acordo com a ação no qual a oportunidade surge. E o valor de positivo e negativo não está ligado ao oportunismo, mas sim, na ética do altruísmo, que impõe o homem a renunciar o seu bem próprio pelo bem dos outros. 

Ayn Rand, nesse ponto, ao explorar o egoísmo, que trata da mesma celeuma, questiona: O que são valores? Quem deve ser o beneficiário? O altruísmo declara que qualquer ação praticada em benefício do outro é bom, qualquer ação praticada em nosso próprio benefício é maléfico. Assim, o beneficiário da ação é único critério de valor moral

Contanto que o beneficiário seja qualquer um, salvo nós mesmo, tudo passa a ser válido

Mas o que isso tem haver com política? 

Podemos pensar no ex-presidente Lulla, que já foi condenado por corrupção e está prestes a ser indicado em mais quatro processos. Lulla praticou corrupção, foi beneficiário de altas somas de dinheiro, porém, parte da população idolatra ele por ter implantado programas de benefícios à pessoas carentes. 

Ou seja, por essa ótica, ele pode roubar, pois foi uma pessoa boa para uma grande parte da população. 

Nesse ponto, podemos pensar que o Lulla foi oportunista, ao se valer do cargo de presidente para criar uma máquina eleitoral com as camadas necessitadas e com isso poder roubar com garantias de que estaria “moralmente isento” do julgo, pois beneficiou pessoas. 

Vejam, nesse caso, o oportunismo teve uma carga negativa, pois ele se valeu de um momento e das suas habilidades para cometer um ilícito. A oportunidade em si não fez o ladrão. O ladrão fez o ladrão

E o inverso desse fato, como seria? 

Em uma sociedade que vê qualquer ato oportunista e egoísta como ruim, imoral e injusto, coloca um sino, uma marca em qualquer pessoa que busque tirar partido de uma circustância que possa lhe beneficiar. 

Vejamos o seguinte exemplo: 

Uma pessoa capaz, com estudo e conhecimentos necessários para exercer um cargo público vê a oportunidade, frente ao cenário caótico no país e a clara deficiência técnica e moral dos atuais políticos, decide se lançar candidato, pois vê em si o potencial e as condições para exercer tal função. 

Tal pessoa, exercendo os valores da razão, propósito e autoestima e as virtudes da racionalidade, produtividade e orgulho, estaria aceitando a responsabilidade dos seus próprios julgamentos e de viver pelo trabalho da sua mente. 

Segundo Rand, isso significa que não devemos sacrificar nossas convicções às opiniões ou desejo de outros. Ele não transfere a outros o peso de seus fracassos e não hipoteca sua vida em garantia do fracasso dos outros. 

Contudo, pelo viés da ética do altruísmo, tal pessoa, é vista como egoísta e oportunista por valores irracionais, simplesmente por colocar o seu desejo e vontade como prioritária, ao invés de abrir mão em prol de outro, mesmo que o outro seja menos capaz. 

O grande impasse da política: 

Essa é a grande encruzilhada e o impasse que impede a política nacional de escolher os caminhos corretos. O julgamento político se dá por valores irracionais, como: carisma, empatia, popularidade e simplicidade. 

Ao invés de escolhermos as pessoas pela ética objetivista: razão, racionalidade, propósito, produtividade, autoestima e orgulho, escolhemos por termos irracionais, formados em uma lógica imaterial, baseado em crenças não são necessárias nem pertinentes a atividade pública.  

Fica a pergunta: 

Mais vale o popular carismático, que joga com as intenções alheias ou a pessoa com propósito e razão, que declara exatamente quais são suas intenções?  


 

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