Ensino Gratuito em Universidade Paga: entenda como isso é possível.


Quero falar sobre as Instituições de ensino superior do Estado, especialmente a UERGS. 

Contudo, nesse texto não quero discutir se o ensino é bom ou se os professores são qualificados (acredito que são). Também não quero discutir a sistema pedagógico ou se existe interferência política ou ideológica, muito menos se o ensino privado ou o público é melhor. Pois essas discussões envolvem paixão, e quando há paixão não há razão. 

O objetivo desse paper é analisar números e fatos para descobrir se não há uma alternativa melhor, mais ampla, que atenda sonhos e condições de mercado para estudantes que não possuem condições de pagar uma universidade.

Para tanto, vamos analisar alguns fatos: 

  • A sede da Reitoria da UERGS custa, apenas de aluguel,  por mês R$ 43 mil.
  • A sede de Montenegro até o momento já consumiu R$ 244.398,85 de aluguel. 
  • A Folha de pessoal gira em torno de R$ 3.26 milhões mês. 
  • A Associação dos Docentes da Universidade foi favorecida com R$ 152.148,47 em 2018.
  • Em Cruz Alta, são 23 funcionários, que consomem em salário R$ 159.566,16 ao mês. 
  • No campi Cruz Alta, são 3 cursos de graduação oferecidos: Ciência e Tecnologia de Alimentos, Superior de Tecnologia em Agroindústria e Pedagogia. 

Curiosidade 01: 

Embora a UERGS tenha um contrato de aproximadamente R$ 80 mil reais mensais com a PROCERGS entre outras demandas contratadas junto a mesma, a UERGS contratou diversos fornecedores de tecnologia, com contratos que variam de R$ 9.989,00 à R$ 107.000,00. 

Curiosidade 02: 

A UERGS contratou uma empresa para realizar um concurso público para a contratação de interprete e tradutor de libras ao custo de R$ 26.850,00.

O que cada um dos campi precisa para operar? 

Uma universidade não foge do normal de qualquer empresa, ela precisa: sede, limpeza, segurança, equipamentos de informática, insumos, pessoas para as diversas atividades (inclusive toda a burocracia contábil e de pessoal) além claro, dos laboratórios e bibliotecas específicas de cada curso. Isso contando por baixo. 

Para cada campi, ou seja, cada sede da UERGS, é preciso repetir todos esses gastos e todo esse investimento. Hoje, o investimento na entidade representa 6% do total de despesas, pouco mais de R$ 2 milhões. Um valor ínfimo, para manter computadores, laboratórios, equipamentos e tudo que uma universidade demanda para uma formação mínima. 

R$ 34 milhões em 5 meses: 

Esse é o custo para os cofres públicos até o momento. São R$ 7 milhões por mês alocados na UERGS. 

Liberdade de Escolha: 

São apenas 3 cursos em Cruz Alta: Ciência e Tecnologia de Alimentos, Superior de Tecnologia em Agroindústria e Pedagogia. 

E se a vontade do estudante de Ciência e Tecnologia de Alimentos fosse fazer agronomia, ou mesmo engenharia de alimentos? Ele não poderia, pois não tem poder de escolha. É isso ou nada. 

A UERGS não dá o que é mais importante ao aluno: poder de escolha. 

Se meu sonho é jornalismo, não posso. Se é agronomia, tenho que me contentar com Tecnologia em Agroindústria. Se quero ir para área da saúde? Nem pensar, só pagando. 

Já pensou usar R$ 7 milhões por mês para financiar bolsas integrais ou parciais em universidades comunitárias? 

Esse é o grande debate, não é público ou privado, direita ou esquerda: é acesso e liberdade. 

Ao invés de manter prédios, tijolos e equipamentos do estado, vamos usar esses recursos para comprar vagas em universidades comunitárias, que ajudam no desenvolvimento local, produzem mão de obra qualificada nas suas regiões, aumentam a arrecadação e o comércio local. 

Ao invés de investir em uma instituição que não dá o menor retorno para a comunidade, para as cidades aonde elas estão instaladas, o Estado deveria investir na compra de bolsas integrais ou parciais nas universidades comunitárias, promovendo o desenvolvimento social e econômico das regiões. 

Uma volta ao passado: 

2004, a Unicruz tinha em torno de 8 mil alunos. As taxas de ocupação imobiliária em Cruz Alta eram altíssimas, o comércio pujante, bares e restaurantes lotados, investimentos floresciam. Isso tudo porque havia vida, ocupação, mão de obra e inteligência criativa. 

De volta para o futuro: 

Se os valores investidos na UERGS fossem investidos em universidades comunitárias, que já possuem estrutura, cursos em andamento, quadros funcionais etc, poderíamos ter mais estudantes ocupando as carteiras universitárias, mais movimento na economia local, mais liberdade para vivermos os nossos sonhos, sem limitações e restrições. 

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