O golpe de Castro no "Programa Mais Médicos"




Em 2001, com apenas 21 anos, coordenei uma excursão para Cuba, com o intuito de mostrar ao povo gaúcho qual era a verdadeira face daquele país e da doutrina tão admirada pelo primeiro governo do PT em nosso estado.

Poderia falar muito sobre a experiência, que mesmo após tantos anos continua viva em minha memória. Quem tiver interesse em saber um pouco, há ainda alguns links na internet, como o abaixo, do antigo blog do professor Olavo de Carvalho:


Quero usar esse gancho para escrever alguma linhas sobre a polêmica acerca do Programa “Mais Médicos”. Para ficar mais fácil o entendimento, vou tratar cada tópico em parágrafos separados. Sendo eles:

1)    A vida em Cuba
2)    Médicos cubanos no Brasil
3)    Médicos brasileiros no interior
4)    Validação de diploma
5)    A pior face do brasileiro
6)    O golpe de Castro
7)    A verdade em tudo isso

1) A vida em Cuba: os marajás são os policiais das forças revolucionárias. Sim, quem ganha mais dinheiro em Cuba, acima de qualquer outra profissão é a policia revolucionária, algo em torno de 17 Dólares. A maior parte da população sobrevive com menos de 10 Dólares mês e uma caderneta de racionamento (Libreta), que entre outras benesses, concede ¼ de frango ao mês e um sabonete.

Professores ganham entre 7 e 10 dólares, quase o mesmo que um médico, que ganha próximo dos 15 dólares. Ou seja, para quem tem sua vida racionada, cerceada, limitada e vigiada, qualquer situação que lhe tire da ilha-prisão de Cuba, é uma dádiva.

Médicos Cubanos no Brasil: certamente os médicos cubanos, na sua maioria, não se sentem escravos no Brasil, pois além de viverem de uma maneira que nunca sonharam, pasmem, podem reclamar até do presidente eleito que nada lhes acontece.

Além disso, com quase toda a certeza, a maior parte dos que tiveram a “regalia”, certamente possuem alguma afinidade com a ditadura castrista.

Agora, entre não serem escravos e serem livres é algo totalmente diferente. A parte financeira que lhes cabe, é o suficiente apenas para dar uma vida minimamente confortável.

Alguém está lendo nesse momento e pensando: “com 3 mil Reais eu viveria muito bem”. E está correto, porém, nem todos estão em Cruz Alta, por exemplo, onde o custo de vida é mais baixo. Muitos vivem em localidades onde o preço da gasolina ultrapassa R$ 6, o gás passa dos R$ 80,00 e por ai vai.

Outra questão é que muitos desses médicos economizam o que podem, para mandar dinheiro para suas famílias, que vivem em situação de miséria na ilha de Castro.    

Médicos brasileiros no interior: não é verdade que os médicos brasileiros se recusam a trabalhar no interior e em localidades remotas, mesmo com altos salários.

Eles se recusam a correr o enorme risco de se mudarem com suas famílias, sair de regiões aonde há pacientes e recursos médicos e intelectuais abundantes para cair em prefeituras que, por incapacidade financeira e administrativa, de uma hora para outra, passem a atrasar salários ou cancelem os contratos por não terem condições de arcar com os custos.

A questão que envolve a interiorização dos médicos é segurança e estabilidade.

Validação de diploma: vá para nosso país irmão, Portugal, com seu diploma de médico, dentista, advogado etc e tente exercer a sua profissão livremente. Você não vai conseguir, é preciso validar o diploma com testes de conhecimento baseados naquela realidade educacional. 

Da mesma forma o contrário. Médicos brasileiros, até mesmo professores com doutorado no exterior, precisam validar seus diplomas para atuar no Brasil.

É papo furado essa história de “ofensa” aos médicos cubanos solicitando atestado de sua qualificação. Isso vale para brasileiros, americanos, portugueses e ingleses. É lei e está totalmente correto.

Outra questão importante, é que a medicina cubana é muito diferente da brasileira, o ensino e as disciplinas lá são muito diferentes das nossas. A medicina cubana possui foco na medicina preventiva, é quase uma enfermagem avançada.

Importante lembrar: os cubanos serem simpáticos, queridos e atenderem melhor que os brasileiros não os torna mais capacitados, nem menos, apenas mais empáticos.

A pior face do brasileiro: esse episódio dos médicos está mostrando a pior face do brasileiro, de um egoísmo exacerbado e uma imbecilidade coletiva ao tratar essa questão de forma simplista.

Pacientes reclamam que “não importa” a nacionalidade ou o quando eles ganham, desde que estejam atendendo. Mostrando uma clara falta de sensibilidade quanto a realidade daquela pessoa, que está longe da família e está constantemente sob o véu da deportação ou coisa pior.

Médicos brasileiros reclamam da falta de prática e experiência dos cubanos, porém não procuram saber e entender como poderiam colaborar para um melhor atendimento, posicionando estes em setores de triagem, por exemplo.

Especialistas de Facebook comparam a situação com diferentes profissões, como professores, por exemplo, com realidades e condições que são impossíveis de serem comparadas, é como comparar leão com abóbora. 

O golpe de Castro: o governo cubano, que é uma ditadura advinda da guerrilha, não sabe conviver com a democracia, pluralidade de ideias e o contraditório. Castro pagou para ver, em uma jogada baixa, usando toda massa (in)útil da esquerda brasileira a seu favor, senão vejamos:

1)    Bolsonaro não tomou nenhum atitude formal, ele apenas externou uma ideia, um pensamento (que não é novo) sobre a visão dele de como deveria ser a relação com Cuba.
2)    Castro tomou uma decisão imediata, baseada em um comentário, não em uma ação, e sequer quis contra-argumentar.
3)    Criou um circo, chamando imediatamente mais de uma centena de médicos de volta, recepcionados com festa e aplausos, tudo para criar uma retórica de que os médicos cubanos eram heróis humanitários ajudando o pobre povo brasileiro.
4)    Esse teatro todo é uma forma de jogar a opinião pública contra o governo Bolsonaro, criar uma saia justa para o novo governo, que ainda não assumiu.
5)    Cuba não está nem aí para Brasil, seu interesse era financeiro, não humanitário, como está mais do que provado na atitude da ditadura caribenha.

A verdade em tudo isso: Cuba fatura uma nota preta fazendo tráfico humano!

São mais de Um Bilhão de Reais ano para a ilha da fantasia castrense enviar seus cidadões ao Brasil, ganhando apenas 30% do salário e mantendo suas famílias reféns, até então com a anuência e benção do governo brasileiro.

Os médicos ajudavam na precária e má administrada saúde pública brasileira? Não há dúvida.

Entretanto, em toda crise há oportunidades, e essa é a oportunidade do país pensar e estruturar uma política de saúde melhor, mais ampla, mais produtiva, com médicos brasileiros atendendo brasileiros e, caso tenha estrangeiros, que venham de livre e espontânea vontade, ganhando salários compatíveis com sua formação e tempo laboral.

José Henrique Westphalen



Links sobre minha passagem por Cuba (são poucos, há época a internet estava iniciando).




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