A baixa qualidade da educação tem um culpado, e ele está em sala de aula!




Falar sobre educação no Brasil para quem não recita Paulo Freire de trás para a frente é muito difícil. Qualquer ponto de vista ou proposição que vá de encontro ao pensamento coletivista da esquerda nacional é praticamente uma declaração de guerra. Eu sofri isso, em setembro de 2018, em um debate durante as eleições, no qual eu defendi que a UERGS fosse transformada em um escritório para compra de vagas em universidades comunitárias. 

No meu site tem um artigo tratando do tema, no rodapé, há 5 dezenas de comentários nada educados, que se o leitor tiver a paciência, irá entender na prática, o resultado dos números que trago neste ensaio. 

O Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodrigues recentemente também foi alvo dos discípulos freirianos, sofrendo diversos ataques após uma entrevista ao Valor Econômico na qual ele disse que “a ideia de educação para todos não existe”, e que o ingresso nas instituições superiores de ensino “devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [do país]”. 

Bastou para que a horda de orc’s do CPERS e outras “professoras” defensoras do “escola sem mordaça” criticassem as declarações, levando a crer que o Ministro estaria sugerindo acabar com a universidade pública estatal, que isso impediria os pobres de entrarem na universidade. Quanta bobagem ideológica, quanta falsidade intelectual!

O Ministro, na entrevista, cita o exemplo (cada vez mais comum) de profissionais de diversas profissões que acabam no Uber, pois ganham mais dinheiro dirigindo que redigindo processos, no caso de um advogado, por considerar que muitos fazem uma faculdade mas não tem o mínimo preparo para exercer a profissão. Com este posicionamento, o Ministro chamou a atenção para dois graves problemas: a fragilidade do ensino superior no Brasil (sua baixa qualidade) e a necessidade de aproximar o ensino médio do ensino técnico, praticamente inexistente no país. 

Embora possa doer, e a verdade crua dói, Vélez só falou o óbvio: o Brasil tem um altíssimo contingente de alunos abaixo do nível aceitável e uma massa de analfabetos funcionais. Segundo a avaliação do MEC (Saeb), mostra que o nível do ensino médio está estagnado há 12 anos (2005 - 2017), as notas de português e matemática continuam as mesmas. Mesmo com o MEC mudando o sistema de avaliação do Seab, as notas continuam as mesmas de 2005. Segundo o PISA, na avaliação internacional de estudantes, o Brasil ocupa a 63ª posição entre as 70 nações analisadas. O Brasil não consegue passar do nível dois para alunos de 5º ano do fundamental, e em poucos estados chega próximo do limite. O Rio Grande do Sul, estado mais à esquerda no campo político do Brasil, com orgulho, ostenta o pior índice entre todos os entes federados. 



E a culpa desse quadro não é do governador, nem da Tumelero, a culpa são dos professores! Segundo João Batista Araújo Oliveira, Ph.D. em pesquisa educacional pela Flórida e presidente do Instituto Alfa e Beto, o problema central do sistema é o professor. Segundo ele, nas últimas décadas, se abriu demais a carreira para gente que não tem o mínimo de preparo compatível com as exigências para ocupação do cargo. Há um contigente enorme que, na sua maioria, vem dos piores alunos do ensino médio. 

Os alunos de pedagogia, em sua expressiva maioria, provêm de famílias de baixo nível de escolaridade, baixa renda, trabalham de dia e estudam à noite, segundo a pesquisa “Perfil dos Futuros Professores”. Os resultados do ENEM, para alunos de pedagogia, com as mesmas características sócio-economicas, são piores que de outros alunos. Para Araújo, um dos primeiros passos para mudar a realidade educacional do país é selecionar pessoas de mais talento e bagagem intelectual para a carreira de professor

É evidente que salários e boa estrutura importa para termos bons professores, mas é preciso ter uma boa formação desses professores, desde a graduação, e que continua por toda a vida profissional. Hoje, é muito fácil ser professor, e se é fácil, a profissão é desvalorizada. É preciso criar mecanismos para a escolha mais seletiva, exigindo nota de corte muito mais alta que a do ENEM para entrar em uma formação de professores, como afirma Claudia Costa, ex-diretora global de Educação do Banco Mundial e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Públicas da FGV

Países com boa educação e professores valorizados possuem processo seletivos e avaliações constantes. Contudo, no Brasil, especialmente no funcionalismo público, falar em meritocracia, avaliação, seleção e qualquer ação que busque valorizar a qualidade individual é prontamente rechaçada. 

Finlândia, Cingapura e Austrália, por exemplo, professor que vai mal pega suspensão ou precisa assistir programas de formação e, em alguns casos, ter um plano de acompanhamento para adquirir as competências necessárias. Em Cingapura, a avaliação dos professores é tão séria que reflete no salário. Quem quiser saber mais sobre o funcionamento da seleção e avaliação de professores em outros países pode acessar uma matéria da Gazeta do Povo, com dados interessantíssimos sobre o tema.

Observem que parte do problema de formação deficitária nas universidades brasileiras está atrelada a precariedade do ensino médio, muito, por conta de professores mal formados, com baixo grau intelectual. 

"O Brasil está pegando seus alunos menos capacitados, pagando para que eles se tornem professores medíocres, que educarão alunos com deficiências básicas, que já vêm de décadas de um péssimo ensino de base, perpetuando essa massa de analfabetos funcionais, uma massa de pessoas com um “canudo” na mão sem a mínima capacidade para exercer suas profissões." 


O que o governo Bolsonaro, através do Ministro Ricardo Vélez pretende é inverter essa lógica insana, que aplica US$ 11,7 mil dólares, algo em torno de R$ 41,5 mil, em cada um dos 8 milhões de alunos das universidades existentes no Brasil e deixa os 49 milhões de alunos da Educação Básica, espalhados nas 186 mil escolas com um investimento de US$ 3,8 mil ao ano, pouco mais de R$ 13 mil, enquanto nações desenvolvidas, como EUA, Alemanha e Japão, o investimento médio é de US$ 8,7 mil por aluno, mais que o dobro.  

Corretamente o governo quer aplicar mais recursos na base, na formação inicial e média, e menos no ensino superior. De que adianta investirmos volumes similares às grandes nações no ensino superior se nossos alunos não tem a mínima capacidade intelectual? Se o Brasil quer produzir pesquisas, ser referência, precisa sim de uma elite intelectual dentro das universidades, não um amontoado de gente que deveria estar fazendo uma formação técnica. Para se ter uma ideia, nos países da OCDE, entre 30% e 60% dos alunos fazem a vertente técnica do ensino médio, que é o local correto para preparar mão de obra. No Brasil, as escolas técnicas mais importantes são acadêmicas, não preparam ninguém para o mercado de trabalho. 

"Uma coisa é ter uma formação técnica do jeito que deve ser. Ou você faz uma aprendizagem no Senai, uma escola técnica de nível médio, um curso tecnólogo superior.” - João batista Araújo Oliveira


Existe um preconceito de que fora da universidade não tem salvação. Lula é o culpado disso, o PT é culpado disso, ficaram anos e anos fazendo a propaganda de que o pobre agora estava na universidade. E dai? De que adiantou? Ele não consegue trabalho, ele precisava era de bons cursos técnicos e profissionalizantes e, no futuro, uma faculdade. Não adianta de nada querer capacitar intelectualmente uma pessoa cuja a base é muito frágil. 

O governo federal está corretíssimo em querer investir na base e em cursos técnicos. O Brasil só será um país com excelência acadêmica, reconhecido por suas pesquisas no momento que tornar suas universidades polos de excelência, com mentes brilhantes e capacitadas, com uma elite intelectual e, se Deus quiser e o governo fizer sua parte, com apoio da sociedade, essa elite poderá vir das periferias. 

José Henrique Westphalen
Cientista político e professor mestre em comunicação. 


Comentários

Unknown disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse…
O Brasil poderia estar há anos no topo em tudo se não fosse pelos cadáveres ambulantes que se acham vivos. Falo dessas criaturas cegas e ignorantes da Lei do Ciclo , que fingem representar o povo mas na verdade esses traidores de pátria e povo vem entregando nosso país a sangria de mercenários enchendo seu bolso de dinheiro sujo de sangue. Seu destino selado por suas próprias obras resta-lhes apenas dor choro e ranger de dentes quando forem absorvidos definitivamente pelo oceano eletrônico de Luz informe onde não serão mais encontrados em lugar algum do universo criado.