Jogos Ocultos


Trilogia Suja do Socialismo (Parte III):  Jogos Ocultos

Dentro da teoria dos jogos, a esquerda brasileira sempre atuou conforme a estratégia das tesouras, com um partido mais radical e outro moderado, mas na verdade, ambos servem ao mesmo projeto, porém, executando papéis diferentes. 

O discurso e o campo de atuação da esquerda evoluiu, deixou ser apenas uma luta contra o capitalismo e o imperialismo americano para se aliar ao capital e se utilizar dele para redefinir a sua agenda.  Hoje, o PSOL está para o PT da mesma forma que o PT já esteve para o PSDB. Ou seja, o poder está centrado na social-democracia, na esquerda limpinha e intelectualizada (PSDB), enquanto o discurso, o enfrentamento e a imposição forçada das pautas ficam no braço armado (PT). 

O PSDB durante anos foi a esquerda aliada ao capital, com trânsito no campo social e financeiro, enquanto o PT era o braço das massas. Há época, o PT radical era simbolizado em um Lula barbudo e mal trapilho, em contraste a um Fernando Henrique intelectual, europeu e erudito. 

Com a troca do poder, um Lula aliado ao capital, com barba bem feita, ternos chiques e o convívio com o centro do poder político e financeiro fez emergir um novo braço para as massas, o PSOL. O PSOL de Luciana Genro e outros extremistas representaram a primeira fase do partido, de aspecto sujo e despreocupado. Hoje, como uma cobra, o PSOL se prepara para a sua ecdise, ele cresceu e precisa mudar a pele. Sai Luciana, entra Freixo, sai Che, entra Frida e Marielle. 

O que foi exposto nos textos "jogos ocultos", "capitalismo de laços" e "socialismo" é o que assistimos no Brasil nas últimas três décadas: um estado para poucas empresas, um estado cada vez mais assistencialista e agendas políticas que cisam cada vez mais a sociedade em grupos e classes, inclusive com anuência do judiciário

Classes intelectualizadas e abastadas, que vivem à margem e independente do Estado, como as elites universitárias, empresariais e parte do funcionalismo, advogam à favor da agenda esquerdista e coletivista como forma de "limpar a consciência", algo quase religioso, de culpa por terem muito enquanto outros têm tão pouco. 

Essa culpa, do ego, por não fazer a sua parte e não auxiliar em nada o desenvolvimento social, dentro da sua lógica egoísta e autossuficiente,  faz com estes deleguem ao Estado o que deveria ser um ato comunitário e altruístico, de auxilio ao próximo por virtudes morais, típicas do ocidente cristão. Como não assumem a sua responsabilidade, aceitam entregar uma parte da sua receita para esse fim, expandindo as políticas coletivistas, apoiando projetos e políticos coletivistas da esquerda. 


A grande batalha da sociedade hoje não é contra o comunismo, contra os riscos de uma ditadura bolivariana, mas sim, contra o coletivismo, contra a supressão das responsabilidades individuais, contra a cisão da sociedade em grupos, contra a ingerência do estado sobre a vida de cada indivíduo. 

José Henrique Westphalen
Cientista Político e Mestre em Comunicação. 

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