A saúde do Brasil é um paciente terminal.


Jornal Tribuna das Cidades - 21 de junho de 2019


Há quem diga que o sistema de saúde brasileiro está na UTI, e pior, faltam recursos para salvar o paciente. Infelizmente, todo o sistema de saúde brasileira, tanto SUS quanto privado enfrentam enormes dificuldades financeira. Contudo, diferente do que se apregoa, não é a falta de médicos nem de recursos a causa maior. 

Existem no Brasil 453.726 médicos, uma média de 2.11 para cada mil habitantes. A ONU recomenda 1 médico para cada mil habitantes. Mesmo que o Brasil tenha problemas de concentração de médicos em áreas nobres, não há uma região do país que não tenha uma média acima de 1 médico para cada mil habitantes. Ou seja, mesmo em áreas muito afastadas há médicos presentes.

Outra questão amplamente levantada em relação ao sistema público, o SUS, é que o governo federal investe pouco. Esta afirmação é questionável. A maior parte das críticas trazem dados que não podem ser comparados, especialmente com outros países e outros sistemas de saúde. Especialistas, críticos de plantão, alegam que países desenvolvidos investem US$3 mil dólares por habitantes, enquanto no Brasil, apenas US$ 525 dólares, o que pela cotação atual daria algo entorno de R$ 2.042,25 por habitante. 

Os gastos em saúde no Brasil variam de acordo com os critérios de analise entre 2.94% a 3.6% do PIB Brasileiro. A União investe mais de R$ 110 bilhões na saúde por ano. Embora abaixo de países desenvolvidos, é um número expressivo e acima do investido na América Latina e Caribe. O que ocorre com a saúde no Brasil passa ao largo dos números, o problema é outro, e muito maior. 

No Brasil 75% da população é dependente do SUS, são 150 milhões de pessoas que dependem do sistema público de saúde. Acontece que apenas 1/4 da população, ou seja, pouco mais de 50 milhões de pessoas contribuem para a manutenção do sistema, trocando em miúdos, para 4 pessoas, apenas uma trabalha e recolhe para a manutenção das outras 3.

“Dever do Estado”: antigamente, o INPS, predecessor do SUS, atendia apenas pessoas com carteira de trabalho, ou seja, contribuintes. A Constituição Federal de 1988 colocou como dever do estado e trouxe a universalidade. Contudo, o Brasil é um país continental com a maior parte da população pobre e que não foi ensinada a usar o sistema de saúde. Além disso, as fraudes e a corrupção corroem boa parte dos recursos, a falta de gestão e fiscalização outra parte.

Quando se olha para o setor privado, analisamos que menos de 47 milhões de pessoas possuem planos de saúde privado. Desse percentual, 66% tem planos através da empresa em que trabalham. São números baixos se compararmos com o Estados Unidos, no qual 85% da população não depende do governo para ter acesso a saúde, pois tem seus planos vinculados ao seu trabalho. Esse fato se deve ao governo americano incentivar empresas a darem plano de saúde aos seus funcionários em troca de benefícios fiscais. 

Esse é o grande problema da saúde brasileira: 75% da população depende do estado, 75% da população não trabalha, apenas 25% suporta uma carga tributária enorme que dilapida a capacidade de investimentos das empresas, que não conseguem contratar quanto mais ofertar benefícios como planos de saúde. 

A saída para o sistema de saúde brasileiro está na iniciativa privada, nos planos de saúde privados. Porém, para que as pessoas tenham acesso e condições de pagar por isso, precisamos urgentemente quebrar as correntes tributária, fiscal e corporativistas que impedem o Brasil de crescer, gerar empregos e renda.

Somente através da transformação de um Brasil corporativista e coletivista para um Brasil liberal e empreendedor conseguiremos tirar o sistema de saúde da UTI.  


José Henrique Westphalen
Diretor da GEAP Autogestão em Saúde


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