E se o Lula trocasse de nome?

Jornal Tribuna das Cidades - 07 de junho de 2019. 



A redemocratização ocorrida nos anos 80 abriu o país para o pluripartidarismo. Da Arena e MDB desmembraram quase todas as siglas que conhecemos, talvez não pelo nome original, mas pelas figuras históricas.

Para o leitor entender um aspecto teórico sobre os partidos, explico rapidamente o que caracteriza a formação das legendas no Brasil, sendo dois modelos: partidos de quadros e partidos de massas.

Partido de quadros são aqueles formados dentro do parlamento, dentro da própria política. Se enquadram nessa característica: PDS, PMDB, PFL, PSDB, PDT entre outros.

Os partidos de massa, são aqueles oriundos de movimentos fora do parlamento, o exemplo mais clássico é o PT, que surgiu dos movimentos metalúrgicos, sindicais, campesinato e funcionalismo público.

Por conta das características do Brasil, do sistema político, das regras criadas pela Constituição Federal de 1988 e pelos interesses locais e eleitorais, os partidos no Brasil são caracterizados por massas amorfas, sem ideologia, sem linha programática e verticalização de discurso.

O fato das siglas aceitarem qualquer pessoa para concorrer, na ânsia de “fazer legenda”, piorou ainda mais as identidades partidárias. Atores, cantores, jogadores, sub-celebridades e fenômenos instantâneos de popularidade passaram a ser perseguidos pelos partidos para a disputa eleitoral.

Nos dias atuais, por exemplo, se reconhece mais uma legenda pelo seu famoso ou pelo seu corrupto, do que por suas ideias.

Para fugir do desgaste os partidos passaram a trocar de nome. Alguns exemplos desse comportamento podemos ver abaixo:



PDS: PPR, PPB e PP.
PFL: Democratas.
PMDB: MDB.
PL: PR, PL.
PRP: Patriotas.
PRB: Republicanos.
PTN: Podemos.
PPS: Cidadania.



Essa prática é a mesma coisa que o Lula trocasse de nome para Juba, na tentativa fraudulenta de provar ao eleitor que aquele condenado por corrupção agora é um homem de bem.

Os partidos trocam de nome e marca, porém, o mais importante nenhum troca: que são as práticas, a forma de escolha dos seus filiados, dirigentes e candidatos, estes, os verdadeiros culpados pela ruína das legendas.


José Henrique Westphalen
Cientista Político e Mestre em Comunicação



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