Gestão pela Vida



  
Em qualquer pesquisa que for realizada, em qualquer estado e cidade, entre as três principais preocupações da população sempre estará a área da saúde. E não é para menos, pois quando abordamos o tema saúde, estamos falando de vida.

No Brasil, praticamente 75% da população é dependente do SUS, que como sabemos, apesar dos esforços dos governos, nas três esferas, sempre estarão “devendo” melhores condições. Qualquer procedimento médico, clínico e hospitalar que for realizado, por menor que seja, implica em um custo elevado. É uma realidade que não podemos fugir, saúde tem preço, e não é barato.

Uma das saídas para melhorar as condições de vida do brasileiro está no sistema de saúde suplementar, os planos de saúde, sejam eles privados, autogestões ou fundos de assistência. Dentro desse universo, cabe ressaltar os dois últimos, as autogestões e os fundos, pois são fundações que não visam lucro, todo Real poupado é reinvestido na assistência ao beneficiário.

São inúmeros os caminhos para desafogar o Sistema Único de Saúde e o principal passa por consolidar a saúde suplementar no país. Dentro dessa ideia, duas medidas precisam ser tomadas urgentemente para que os planos de saúde, em especial as autogestões e fundos assistenciais, tenham fôlego para crescer e atender mais pessoas:

1)   Eliminar a quebra contratual e a judicialização da medicina. A ANS possui um rol de procedimentos que os planos de saúde são obrigados a ofertar. Os contratos entre usuários e planos são firmados em cima desses procedimentos. Contudo, baseado em “princípios”, a justiça desconsidera e rasga os contratos, autorizando via liminar todo e qualquer procedimento não coberto, pouco importando o custo e o impacto financeiro que isto trará.

2)   Ética e compromisso com a saúde. Existem alguns (felizmente poucos) médicos e administradores hospitalares que agem em conluio com laboratórios e distribuidoras, tendo como prática o uso de medicamentos e solicitação de processos cirúrgicos desnecessários. Além disso, algumas instituições se valem do seu porte para impor contratos lesivos aos planos, com inflatores que chegam a 38%, da já abusiva tabela de referência do setor, o Brasíndice.

Os itens apontados no texto são os mais básicos e gritantes, há inúmeros outros desafios na gestão e na conscientização, tanto de prestadores quanto de beneficiários. As pontes a serem construídas e os muros a serem derrubados são muitos. A saúde no Brasil precisa ser tratada com um outro olhar, buscando o equilíbrio entre o social e o financeiro.

Não existe mágica, existe gestão, tanto que hospitais, clínicas, planos de saúde, governos e profissionais da área sempre convergem para o mesmo fim, que é fazer gestão pela vida.  





José Henrique Westphalen
Cientista Político e Mestre em Comunicação.
Diretor da GEAP Saúde.

Comentários