O desespero da direita corporativa.



Existem duas direitas no Brasil: a que compreende e endossa a guerra cultural como única forma de erradicar de vez a esquerda do poder e a direita corporativa.

A direita corporativa pode até ter nascido das ruas, mas tomou corpo e forma em gabinetes políticos e salas comerciais do grande empresariado brasileiro. São políticos de palco, marionetes do sistema que foram alimentados para um fim: o impeachment de Dilma Rousseff. Movimentos como MBL e Vem pra Rua surgiram fulminantes, com grande estrutura organizacional e de mobilização, apoiados por uma casta que via nessas ações a forma de pressionar e criar o ambiente necessário para retirar o PT do poder.

Contudo, o objetivo por trás da bondosa e abnegada entrega dos militantes do movimento, era uma ideia de poder. Tanto prova, que Michel Temer permaneceu no mandato mesmo havendo todos os elementos para caçar a chapa inteira. Aliviaram para Temer, pois sabiam que ele era um natimorto, ou apenas um flanelinha que iria segurar a vaga da nova direita corporativa.

Essa direita corporativa, atrelada à grandes grupos financeiros e políticos tentou até o último instante viabilizar uma candidatura do seu interesse, de Flávio Rocha, Amoedo, Maia à Alkmin. Contudo, a direita corporativa renegou o óbvio, negou até o último instante o que a sociedade brasileira clamava por mudanças.

Essa parcela da direita não estava preocupada com a corrupção, com a defesa de valores e princípios, com a liberdade e a soberania nacional, mas sim, com interesses econômicos e uma agenda política que satisfizesse os interesses das corporações que os bancavam.

Apoiaram Bolsonaro de nariz fechado, com nojinho. Mesmo após a avassaladora vitória da direita conservadora, de uma proposta frontalmente desruptiva para o país, no auge da sua arrogância, acreditavam que dariam as cartas e controlariam o presidente. Ledo engano. Os primeiros dias da transição já deixavam claro que o país seria outro.

Nem bem o governo completava um mês de mandato, lideres do MBL, como Kim Kataguiri e Renan Santos já decretavam o fim do governo! Sucessivamente, semana após semana, paralelo às narrativas da esquerda, a direita corporativa ia criando factoides para tentar impor derrotas e cisões dentro do governo.

Investidos de uma moral ímpia, na qual não possuem “corrupto de estimação”, promovem uma caça às bruxas ao estilo medieval, sem provas, sem culpa, sem dolo, com um senso torto de desproporcionalidade na caçada à Flávio Bolsonaro, por questões ligadas ao mandato de Deputado Estadual, anterior a eleição presidencial, jogando o problema no colo do Presidente Bolsonaro, fazendo crer que o governo quer o fim da lava-jato. Nada mais patético e dissimulado.

A verdade, é que partes dessa direita, principalmente aquelas ligadas ao MBL e o Vem pra Rua não conseguem sobreviver e ter relevância sem um inimigo ao qual combater. Não conseguem sobreviver sabendo que o governo coloca na prática, em velocidade recorde, todo o discurso dos liberais. Ficaram sem palco e sem discurso.

Cada dia fica mais claro que essa direita corporativa não queria um novo país, queria um novo governo, com seus pares no poder. Queria ter a sua fatia nos aquinhoados cofres públicos, ditar a sua regra e a sua cartilha, um livreto de poucas páginas, sem moral e sem valores, apenas chavões liberais, um discurso monotemático e corporações ditando as regras.


José Henrique Westphalen
Cientista Político e Mestre em Comunicação.



Comentários

César Day disse…
Baita texto, pontual! Continue!
guriazinha disse…
Excelente! Um texto pontual e que exprime a verdade! Vale a leitura! Parabéns!
Sérgio Coelho disse…
Muito importante essa tua análise, pois o comportamento "camaleão" é difícil de detectar nesse palco tão conturbado.